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30 de maio de 2026

Reflexões Finais - Carrie, a Estranha

Carrie, a Estranha

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Reflexões Finais — Carrie, a Estranha

Autor: Stephen King

Conclusão da leitura

No dia 30/05/2026, terminei a leitura de Carrie, a Estranha.

Mais uma vez, foi um livro de Stephen King de que gostei demais. Em determinado momento, a leitura simplesmente me prendeu de um jeito que não consegui mais parar, e por isso fui até o fim de uma vez só.

Sobre Stephen King e seus desfechos

Uma impressão que se reforça é que Stephen King costuma conduzir suas histórias para uma espécie de desfecho parcialmente feliz — mas nunca completamente feliz.

Há uma resolução. Há uma sensação de justiça em alguns pontos. Mas sempre sobra uma ferida. Sempre fica algo quebrado, triste ou impossível de consertar.

Em Carrie, isso aparece com muita força: existe vingança, existe punição, existe uma explosão de tudo aquilo que foi reprimido durante anos. Mas não existe alívio verdadeiro.

Chris Hargensen e Billy Nolan

O casal que arma o trote contra Carrie — Chris Hargensen e Billy Nolan — parece quase psicopata.

Billy ainda consegue parecer pior do que Chris, mais brutal, mais frio e mais disposto à violência. Mesmo assim, a sensação é de que o fim dos dois ainda foi leve demais diante do que fizeram.

Eles não apenas fizeram uma brincadeira cruel. Eles participaram conscientemente da destruição de uma pessoa que já estava no limite.

A vingança de Carrie

Durante o livro inteiro, torci para que Carrie se vingasse de todo mundo. E isso realmente acontece.

O fato de pessoas aparentemente inocentes morrerem não me causou tanta objeção dentro da lógica emocional da história. Porque essas mesmas pessoas, de algum modo, fazem parte de um sistema em que algumas sofrem por uma vida inteira enquanto os ditos “normais” fazem vista grossa.

A tragédia não nasce só de um ato isolado. Ela nasce de uma comunidade inteira que permite a humilhação, o abuso e o isolamento de alguém até que essa pessoa vire uma bomba.

Sue Snell e a dualidade humana

Sue ainda demonstra arrependimento, embora de um jeito um pouco doente e confuso.

Mas talvez seja exatamente isso que torna a personagem interessante: ela carrega essa parte humana de dualidade. Somos bons e maus ao mesmo tempo. Podemos sentir culpa, tentar reparar algo e, ainda assim, estar envolvidos no mal que aconteceu.

Sue não é simplesmente inocente. Mas também não é igual a Chris. Ela ocupa esse lugar desconfortável entre culpa, arrependimento e tentativa de redenção.

A mãe de Carrie

Embora seja possível sentir algum nível de pena da mãe de Carrie, não consigo absolvê-la.

Ela teve papel direto em transformar Carrie nesse monstro vingativo. A menina não tinha folga na escola, mas em casa a situação era ainda pior.

A mãe deveria ser algum tipo de proteção contra o mundo, mas acabou sendo outra fonte de medo, repressão e violência. Carrie era esmagada fora de casa e dentro de casa. Não havia refúgio.

A tristeza do baile

O desfecho do baile me causou bastante tristeza.

Durante toda a vida de Carrie, aqueles talvez tenham sido os únicos momentos reais de alívio. Por alguns instantes, ela pôde se sentir vista, aceita, bonita, quase normal.

E justamente por isso a queda é tão cruel.

O pouco de felicidade que ela experimenta dura muito pouco. É como se o livro deixasse claro que Carrie quase teve uma chance — mas o mundo não permitiu nem isso.

Impressão final

Carrie, a Estranha é uma história sobre vingança, mas também sobre abandono.

Carrie não nasce monstro. Ela é empurrada para isso por uma soma de crueldades: o bullying, o fanatismo religioso, a omissão dos outros, a vergonha, o isolamento e a falta absoluta de amor saudável.

No fim, a tragédia não é apenas que Carrie destrói tudo.

A tragédia é perceber que quase ninguém tentou salvá-la antes.