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14 de junho de 2026

Diário de Leitura - Ilusões

Ilusões160 páginas lidas

Diário de Leitura — Ilusões, de Richard Bach

Hoje terminei a leitura de Ilusões, de Richard Bach.

É um daqueles livros que me deixaram com mais perguntas do que respostas. E acredito que isso não seja um defeito do livro, mas parte da proposta dele.

Desde as primeiras páginas, fui atraído pela figura do mestre que se cansa de ser mestre. Aquela ideia já parecia indicar que o livro não seguiria um caminho convencional. Donald Shimoda não se apresenta como alguém interessado em criar seguidores ou fundar uma doutrina. Pelo contrário, muitas vezes ele parece querer destruir as certezas que as pessoas carregam.

Ao longo da leitura, vários elementos ficaram marcados na minha memória: a história da criatura que se solta da correnteza, o encontro aparentemente inevitável entre Richard e Donald, o Manual do Mestre e a ideia de abrir um livro qualquer para encontrar uma resposta para uma pergunta que já estava dentro de nós.

Mas, ao terminar o livro, percebo que minha principal impressão não é sobre nenhum acontecimento específico. É sobre a forma como Donald enxerga a realidade.

Durante a leitura, me pareceu cada vez mais que ele considera aquilo que chamamos de realidade como algo muito menos sólido do que acreditamos. O livro questiona constantemente aquilo que tomamos como certo: as limitações físicas, os medos, as regras, os fracassos, o sofrimento e até mesmo as tragédias.

Uma frase que me chamou atenção foi:

"A marca de sua ignorância é a profundidade da sua crença na injustiça e na tragédia."

Inicialmente, essa afirmação me pareceu estranha. Mas, refletindo melhor, percebi que a frase talvez não esteja discutindo a existência ou não da injustiça. Ela parece questionar a certeza com que interpretamos os acontecimentos da vida.

Ao longo do livro, Donald frequentemente não combate os fatos. Ele combate as interpretações que fazemos dos fatos.

Isso me levou a uma postura que considero mais interessante: investigar antes de concluir.

Em vários momentos da leitura, tive a sensação de que seria fácil transformar as ideias do livro em afirmações definitivas. Mas quanto mais eu pensava sobre elas, mais percebia que talvez o livro esteja convidando o leitor a fazer perguntas, não a colecionar respostas.

Outra ideia central para mim foi a importância da imaginação.

Donald chega a sugerir que a imaginação é mais importante do que a fé. Essa é uma provocação poderosa. Não porque o livro esteja necessariamente atacando a fé, mas porque parece sugerir que muitos dos limites que percebemos existem primeiro dentro da nossa própria mente.

A imaginação, nesse contexto, não aparece como fantasia ou escapismo. Ela surge como uma ferramenta para enxergar possibilidades que antes pareciam impossíveis.

Ao terminar a leitura, não posso dizer que concordo plenamente com tudo o que Donald defende. Também não posso dizer que discordo.

Na verdade, saio do livro com uma sensação diferente.

Tenho a impressão de que Ilusões funciona melhor como uma investigação do que como uma filosofia pronta. Ele não me convenceu de uma nova verdade, mas me fez olhar com mais atenção para algumas crenças que normalmente aceito sem questionar.

Talvez essa seja a principal contribuição do livro.

Não ensinar o que pensar.

Mas provocar a pergunta:

Como você sabe que aquilo que considera realidade é exatamente como imagina?

Essa pergunta atravessa o livro inteiro.

E, mesmo depois da última página, continua aberta.