18 de julho de 2026
Reflexões Finais - O Meu Pé de Laranja Lima
📖 Reflexões Finais — O Meu Pé de Laranja Lima
Comecei a leitura de O Meu Pé de Laranja Lima no dia 13/07/2026 e terminei no dia 18/07/2026.
Logo no começo, conheci o Zezé: uma criança travessa, mas também muito inteligente. Ele aprendeu a ler sem ser ensinado, tinha uma imaginação enorme e parecia sentir tudo com muita força.
Também conheci um pouco da família dele: a mãe, o Tio Edmundo, o irmão mais novo Luís, o irmão mais velho Totoca e as duas irmãs mais velhas, que ajudavam a cuidar e disciplinar o Zezé.
Desde o começo, o Zezé não me pareceu apenas uma criança arteira. Ele era levado, sim, mas também parecia uma criança tentando chamar atenção, tentando ser visto, tentando encontrar algum lugar onde coubesse.
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A pobreza e o Natal
A expressão “os dedos magros da pobreza” começou a me emocionar cedo no livro.
O jeito como Zezé perdeu a distribuição de brinquedos e depois não ganhou nada no Natal foi muito triste. Não era só a falta de presente. Era a sensação de ficar de fora, de não receber, de sempre sobrar para ele a parte mais dura da vida.
Quando ele disse que odiava ter um pai pobre, e o pai ouviu, foi uma das partes mais dolorosas. Zezé falou como criança ferida, mas acabou atingindo o pai em cheio.
Depois, quando ele trabalha o dia inteiro só para conseguir comprar cigarro para o pai, aquilo mostra que ele não era uma criança ruim. Ele sentiu culpa, tentou reparar do jeito que podia e transformou aquela dor em gesto de carinho.
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O pé de laranja-lima
Conhecer o pé de laranja-lima também foi muito interessante.
A árvore ainda era pequena e acabou ficando por último, assim como o próprio Zezé parecia ficar por último muitas vezes. Até na escolha das árvores da casa nova, ele recebe o que sobra.
Por isso, faz sentido ele se identificar com aquele pé de laranja-lima. Os dois eram pequenos. Os dois pareciam pouco importantes para os outros.
O estranhamento aparece quando Zezé começa a ouvir o pé de laranja-lima. Mas, dentro da lógica do livro, isso combina com a imaginação dele e com a necessidade que ele tinha de ter alguém com quem conversar.
A árvore vira mais do que uma árvore. Vira companhia, refúgio e um lugar onde Zezé pode existir sem apanhar, sem ser chamado de peste, sem ser rejeitado.
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Zezé na escola
Na escola, Zezé começa a se comportar melhor.
Achei bonito o modo como ele percebe que a professora não ganha flores e resolve levar uma flor para ela todos os dias, mesmo pegando de uma casa. O gesto não é exatamente correto, mas nasce de uma sensibilidade muito grande.
A professora dava dinheiro para ele comprar sonho, mas Zezé fazia questão de não receber todos os dias, porque sabia que havia gente mais pobre do que ele. Ele pede para ela dar de vez em quando para a menina que era mais pobre.
Isso diz muito sobre ele.
Zezé podia ser travesso, mas não era indiferente. Ele enxergava a tristeza da professora e a pobreza de outra criança. Ele tinha uma capacidade enorme de perceber a dor dos outros.
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A violência dos adultos
Uma coisa que me doeu muito foi ver uma criancinha de cinco anos apanhando além da conta.
O que mais me incomodou não foi apenas o castigo, mas a sensação de injustiça. Muitas vezes parecia que o adulto não estava realmente educando. Parecia que estava descontando raiva.
E isso é algo que me pega bastante. O adulto chama de correção, mas muitas vezes está apenas jogando na criança a própria frustração, o próprio cansaço, a própria miséria.
No começo, Zezé chega a medir as pessoas por quem bate mais ou menos nele, com mais ou menos força. Isso é muito triste. Para ele, a régua das relações passa pela violência.
E o mais importante: quando ele vai para a escola, ele melhora. Quando conhece o Portuga, ele melhora.
Isso mostra que Zezé não precisava de mais pancada. Precisava de atenção, acolhimento, escuta e amor.
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Totoca
O irmão mais velho dele, Totoca, também me pareceu um tanto maldoso em vários momentos.
Ele tenta levar vantagem sobre Zezé e, em alguns momentos, parece saber exatamente onde machucar.
A parte em que ele quer pegar dinheiro emprestado e ainda conta que o pé de laranja-lima será arrancado é cruel. Ele sabe que aquilo atinge o Zezé em um lugar muito íntimo.
Não era só uma árvore. Era o mundo secreto do Zezé.
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O Portuga
A amizade com o Portuga foi a coisa mais linda do livro.
Finalmente apareceu alguém que realmente amava Zezé. Alguém que escutava, acolhia, cuidava e enxergava aquele menino para além das travessuras.
Com o Portuga, Zezé teve descanso.
E talvez essa seja a palavra certa: descanso. Porque até ali parecia que ele estava sempre sendo acusado, corrigido, machucado ou deixado de lado. Com o Portuga, ele pôde ser criança. Pôde falar, imaginar, receber carinho e sentir que era amado.
O Portuga foi a prova de que Zezé podia melhorar quando era tratado com amor. Não era uma criança sem jeito. Era uma criança ferida.
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A morte do Portuga
A morte do Portuga me pegou de surpresa.
Eu estava imaginando outro desfecho, talvez algo acontecendo ao Zezé. Mas o livro tira justamente quem tinha se tornado o maior ponto de apoio dele.
Isso torna a perda ainda mais cruel.
O Portuga não era só um amigo. Ele era quase uma proteção contra o mundo. Era a pessoa que mostrava que Zezé podia ser amado sem apanhar antes, sem precisar provar nada, sem ser chamado de peste.
Quando ele morre, parece que Zezé perde o único lugar onde podia descansar de verdade.
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Zezé e Deus
Achei justa a parte em que Zezé duvida de Deus.
Ele não entende por que Deus parece não gostar dele. E, para uma criança que sofre tanto, essa dúvida faz todo sentido.
Não é uma discussão teológica adulta. É a pergunta de uma criança machucada: por que isso está acontecendo comigo?
Zezé apanha, passa necessidade, perde quem ama e ainda precisa tentar entender tudo isso com a cabeça de uma criança.
A dúvida dele não parece revolta vazia. Parece dor.
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Sensação final
O Meu Pé de Laranja Lima é um livro sobre infância, pobreza, imaginação, violência e amor.
Mas, para mim, acima de tudo, é um livro sobre uma criança que precisava ser vista.
Zezé era arteiro, sim. Mas também era inteligente, sensível, generoso e carente de afeto. Muitas das coisas que ele fazia pareciam tentativas de chamar atenção, de existir, de receber algum tipo de resposta do mundo.
A escola e o Portuga mostram que, quando ele encontra um ambiente melhor, ele também muda.
Por isso, o livro não me deixou apenas tristeza. Ele me deixou também uma conclusão forte: muitas crianças não precisam de mais dureza. Precisam de alguém que as enxergue antes de condená-las.
E o Portuga foi exatamente isso para o Zezé.